sábado, 27 de maio de 2017

O PRIMEIRO BEIJO

Como toda garota que teve infância de verdade (carrinho de rolimã, descer gramado no papelão, brincar de queimado e andar de patins o dia todo), a sexualidade começa um pouco mais tarde do que a da maioria. O que significa que, aos 16 eu ainda não tinha beijado ninguém. Só uma vez aos 14 um garoto da minha sala roubou um selinho e levou um tapa nas costas que deixou ele com uma tosse de tuberculoso como sequela até hoje. Mas isso não conta.
Acontece que com 16 eu já trabalhava para ajudar em casa, e lá no trabalho todo mundo já tinha feito tudo e mais um pouco, então era natural acharem que eu tinha feito também,  e eu não contava nada para ninguém. Então, num dia distraída, eu estava sentada olhando para a janela cheia de grades o céu lindo e ensolarado que estava fazendo, quando um colega me deu um beijo, tipo um selinho, só que demorado. Quero até hoje saber porque eles adoram roubar beijos. Eu fiquei vermelha igual camarão, e para piorar, todo mundo viu e começou a pilha:
- Aeeeeeeeeee! 
Morri.

Mas aquele selinho, foi a cereja do bolo para despertar a mulher que estava lá dentro. Depois disso, me sentia mais confiante e segura, mais feminina e dona de si. 

Um belo dia, durante um jogo mequetrefe do Brasil na copa de 98, eu aproveitei a rua vazia para ir á praia. Morava uma rua atrás da praia, mas nesse dia resolvi ir para um ponto mais distante, porque era mais frequentado por jovens e vez ou outra rolava um voley ou futevoley para eu participar. A praia também estava vazia, então me conformei em me deitar sobre a canga laranja e tomar um pouco de sol fraco das 15h de um inverno carioca. Enquanto cochilava, percebi a aproximação de alguém, então olhei de torto e um rapaz simpático carregando uma cadeira de praia e um livro me cumprimentava:
-Oi, posso deixar minhas coisas com você para eu dar um mergulho?
-Claro, tudo bem!- Disse eu e voltei a cochilar.

Depois de um mergulho rápido ele voltou, armou a cadeira e se sentou ao meu lado. Percebi que ele não estava lendo o livro nem olhando o mar droga nenhuma. Mais uma vez, eu estava sendo observada. Até que ele puxou assunto, perguntando o meu nome, o que eu fazia etc. Ele disse ser estudante, filho de pais que trabalhavam no consulado ou algo do tipo, não lembro, enfim, vendendo o peixe dele... Mas eu nunca fui de ligar para títulos ou posses, então estava mesmo meio afim de que ele fosse embora para eu pegar os últimos raios de sol daquele dia.
Como ele percebeu que eu estava entediada, me convidou para tomar um banho de mar. Eu neguei umas três vezes porque estava na cara que aquele mar estava muito gelado. Mas ele perturbou tanto que eu fui. E saí no mesmo instante, estava muuuito fria aquela água. Peguei minha canga, sacudi e enrolei no corpo. Ele me emprestou a toalha dele para eu não sentir frio e se aproveitou da proximidade para me beijar. Eu permiti. Primeiro porque ele foi gentil, e segundo porque eu já teria que fazer isso mesmo mais cedo ou mais tarde. E também porque eu havia prometido para mim mesma que o meu primeiro beijo teria de ser com alguém que eu nunca tivesse visto, e que nunca mais veria de novo. Então, assim que o beijo acabou, peguei minhas coisa e fui embora. Enquanto eu ia, ele gritava:

-Não vai me dar seu telefone?
-Não! -respondia eu.
-Nunca mais vou te ver?
-Não! eu já ao longe.

Pequeno engano...


sábado, 20 de maio de 2017

OS PRIMEIROS ERROS

Outra coisa super importante que aprendi, é que os homens não tem duplo sentido. Eles falam o que pensam, e não tem nada subentendido por trás das coisas que eles falam para você. Então, se você quer sinceridade num homem seja sincera com ele, e não, nunca faça o contrário do que você quer, para parecer difícil, etc. Eles não entendem essa linguagem, e pode dar tudo errado.

Ainda criança, tinha um menino da minha sala que também não desgrudava os olhos de mim. Mas esse era mais light rs. eu sempre dava patada nele, mas ele sempre insistia em ter um pouquinho da minha atenção. Um dia, ele mandou um bilhetinho simpático que dizia:
"Diana, você quer namorar comigo?" ainda tinha dois quadradinhos para eu preencher. um com sim, outro com não. As meninas da minha turma que vieram me entregar. Eu peguei o bilhete e amassei, disse:
-Deus me livre, esse garoto é horroroso! (ele era lindo)
As meninas colocaram uma pilha do mal, e disseram para eu marcar que sim, só para rirmos dele. Então, aquele ser do mal dentro de mim se deliciou com a ideia de que seria divertido rir um pouco do sofrimento alheio, então eu marquei que sim, e elas entregaram para ele.
Vocês precisavam ver a cara que ele fez quando viu o bilhete, foi tipo essa aí em baixo:

Naquele momento, eu comecei a me arrepender de ter marcado o maldito sim.
Na hora da saída, ele me agarrou igual ao Pepe le Pew e começou a dizer para todo mundo que eu era a namorada dele. Essa fixação durou pelo menos um mês. O feitiço virou contra a feiticeira.
Lição número dois: SEJA SEMPRE SINCERA COM UM HOMEM
















sábado, 13 de maio de 2017

COMPLICOU JÁ NO COMEÇO

Você vem para a terra com uma missão. Mas essa missão você nem faz idéia de qual seja, a brincadeira aqui fica legal justamente por isso. Você tem que aprender e entender que raios você veio fazer aqui, errando e acertando. O problema é quando ainda criança, você se depara com situações extremamente complicadas e surreais, e você só vai entender aquilo ali quando virar adulto, se entender!
Meu nome é Diana, (porque meus pais eram fãs da mulher maravilha) tenho 35 anos e vou contar umas coisas bizarras e surreais  que já aconteceram comigo e talvez vocês me ajudem a entender a minha missão por aqui, porque tá complicaaaaado....


Eu tinha uns cinco anos, estava no meu primeiro dia de aula no C.A, sentei quietinha no meio da sala, na carteira que era acoplada mesa com cadeira, com aquela superfície lisa verde água típica de escolinha. A sala era bem pequena, então ficou fácil perceber que eu estava sendo vigiada. Aquela sensação esquisita de que alguém está te olhando fixamente, e você cria coragem e olha para trás. Lá estava ele, um menino com a mesma idade que a minha, cabelo tipo cuia e um óculos fundo de garrafa. Se me achou bonita já sei que era cego. Eu era uma menininha simpática com maria chiquinhas e cabelos loiros escuros bem encaracolados. Mas era só isso, não era aquelas que sentavam lá na frente e tinham cabelos lisos e escorridos, e ficavam o tempo inteiro bajulando a professora. É impressionante como o caráter já está desenvolvido á esta altura, ali você já observava quem seria o babaca na empresa, que é promovido porque carrega o saco do chefe, você vê aquele que vai ser o dono da empresa, e o nerd que vai ficar rico porque é inteligente pra caramba, e mesmo que não puxe o saco de ninguém, todos vão precisar dele, menos eu né, porque ele não vai desgrudar os olhos de mim mesmo... Enquanto viajava na maionese o fundo de garrafa olhava sem piscar para mim. Eu, sem graça, desviei o olhar. Foi quando escutei um barulho de mesa sendo arrastada. Olhei para trás e como mágica, ele estava beeem mais perto de mim. Gelei. Arrastei minha mesa um pouco mais para o canto. Ele arrastou a dele mais pra perto da minha. Arrastei a minha de novo, ele a dele, e assim foi até que eu estava encostada totalmente na parede, me sentindo a gata do desenho que foge do gambá, e ele conseguiu encostar a mesa dele na minha. Apavorada, me espremí bem no cantinho e fiquei muda, paralisada. Ele foi chegando bem pertinho, com aquele óculos gigante e uma cara de tarado e falou no meu ouvido:

- Na hora da saída eu vou te carregar no colo pelada.

Hoje essa história me mata de rir, mas naquele dia, eu tive até pesadelos com isso. Ali eu aprendi, que os quietinhos SEMPRE serão os mais perigosos.


#liçaonumeroum #primeiroassedio




Pepe le Pew. crédito:warner bros. Entertainment by chuck Jones

   



MR G

Estava no trabalho, quando o telefone tocou e eu atendi. Um homem perguntava se  era da boate  que ficava ao lado do meu trabalho. Eu disse ...