Acontece que com 16 eu já trabalhava para ajudar em casa, e lá no trabalho todo mundo já tinha feito tudo e mais um pouco, então era natural acharem que eu tinha feito também, e eu não contava nada para ninguém. Então, num dia distraída, eu estava sentada olhando para a janela cheia de grades o céu lindo e ensolarado que estava fazendo, quando um colega me deu um beijo, tipo um selinho, só que demorado. Quero até hoje saber porque eles adoram roubar beijos. Eu fiquei vermelha igual camarão, e para piorar, todo mundo viu e começou a pilha:
- Aeeeeeeeeee!
Morri.
Mas aquele selinho, foi a cereja do bolo para despertar a mulher que estava lá dentro. Depois disso, me sentia mais confiante e segura, mais feminina e dona de si.
Um belo dia, durante um jogo mequetrefe do Brasil na copa de 98, eu aproveitei a rua vazia para ir á praia. Morava uma rua atrás da praia, mas nesse dia resolvi ir para um ponto mais distante, porque era mais frequentado por jovens e vez ou outra rolava um voley ou futevoley para eu participar. A praia também estava vazia, então me conformei em me deitar sobre a canga laranja e tomar um pouco de sol fraco das 15h de um inverno carioca. Enquanto cochilava, percebi a aproximação de alguém, então olhei de torto e um rapaz simpático carregando uma cadeira de praia e um livro me cumprimentava:
-Oi, posso deixar minhas coisas com você para eu dar um mergulho?
-Claro, tudo bem!- Disse eu e voltei a cochilar.
Depois de um mergulho rápido ele voltou, armou a cadeira e se sentou ao meu lado. Percebi que ele não estava lendo o livro nem olhando o mar droga nenhuma. Mais uma vez, eu estava sendo observada. Até que ele puxou assunto, perguntando o meu nome, o que eu fazia etc. Ele disse ser estudante, filho de pais que trabalhavam no consulado ou algo do tipo, não lembro, enfim, vendendo o peixe dele... Mas eu nunca fui de ligar para títulos ou posses, então estava mesmo meio afim de que ele fosse embora para eu pegar os últimos raios de sol daquele dia.
Como ele percebeu que eu estava entediada, me convidou para tomar um banho de mar. Eu neguei umas três vezes porque estava na cara que aquele mar estava muito gelado. Mas ele perturbou tanto que eu fui. E saí no mesmo instante, estava muuuito fria aquela água. Peguei minha canga, sacudi e enrolei no corpo. Ele me emprestou a toalha dele para eu não sentir frio e se aproveitou da proximidade para me beijar. Eu permiti. Primeiro porque ele foi gentil, e segundo porque eu já teria que fazer isso mesmo mais cedo ou mais tarde. E também porque eu havia prometido para mim mesma que o meu primeiro beijo teria de ser com alguém que eu nunca tivesse visto, e que nunca mais veria de novo. Então, assim que o beijo acabou, peguei minhas coisa e fui embora. Enquanto eu ia, ele gritava:
-Não vai me dar seu telefone?
-Não! -respondia eu.
-Nunca mais vou te ver?
-Não! eu já ao longe.
Pequeno engano...

Nenhum comentário:
Postar um comentário