Enquanto me recuperava da dúvida de quem eu era depois da experiência passada, passei um gostoso fim de tarde com a turma da Selminha, fizemos um almoço e depois um jantar, e ficamos jogando vídeo game até tarde. Até que cada casal foi se recolhendo para seus aposentos:
Selminha para o quarto de Marcos, Renata e Juliano para seu quarto, e sobramos Marcos Franco e eu na sala. Pouco para dizer, sabe como é, ele com 30 anos e eu com 18, quando eu ia dizer algo ele já saiu me agarrando e meio que estabanados fomos nos segurando para não cair mas caímos, e por ali, na sala mesmo ficamos até o dia seguinte.
Pronto. O dia amanheceu mais bonito, as flores tinham mais cor, os passarinhos tinham o canto mais belo, e o cabelo meio comprido com cheiro de cigarro do marcos Franco era mais perfumado.
Por que os jovens se apaixonam tão rápido?
Numa noite, o carinha do início desta história havia se tornado passado. Já não me interessava quem ele era, de onde ele veio e muito menos para onde ele iria. meu negócio agora é saber de Marcos Franco. Para onde ele iria, o que ele fazia...
Acontece que ele não fazia nada. Nada mesmo...
Essa empolgação foi passando quando comecei a ficar perto demais. A casa de vila onde a Renata, Juliano e Marcos moravam já havia virado minha segunda casa, e pelo visto a do Marcos Franco também. As noites ao lado dele eram longas se tivesse erva, e quando eu tentava uma segunda vez ele não aguentava.
-Descansa menina!- Ele dizia.
Neste ritmo também ia Selminha, que me disse não estar mais tão a fim de Marcos.
Numa tarde, ele decidiu fazer uma surpresa para ela. comprou uma caixa de bombom, um champanhe e foi á caminho da casa dela. Como o porteiro já o conhecia, não embarreirou. Ele subiu para o andar de Selminha com a felicidade de um menino. Tocou a campainha, e nada.Selminha estava em casa, e simplesmente não quis atendê-lo. Ele sabia que ela estava, pois viu a sombra dela na porta quando ela foi olhar no olho mágico. Mas ela não ligou para isso. Realmente quis deixar bem claro que não queria mais vê-lo. Assim, do nada.
Ele, totalmente arrasado, me ligou para contar o ocorrido. Fui até a casa dele, onde me contou tintin por tintin da história que eu já sabia, pois Selminha também havia me ligado para falar, e ainda pediu para que eu o estimulasse a esquecê-la. Ela havia conhecido um carinha da faculdade, e estavam numa baita sintonia.O suficiente para esquecer de todo o carinho e paixão de Marcos.
Naquela noite, haviam dois amigos de coração partido e uma caixa de bombom, champanhe e video game.
Nascia ali uma bela amizade.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
segunda-feira, 24 de julho de 2017
CAMINHOS TORTOS
Uma colega do trabalho, a Selminha, morava perto de mim, e volta e meia fazíamos algo juntas. Ela tinha uma turminha que estava sempre com ela, a Renata, o Juliano namorado da Renata, o Marcos que era ficante da Selminha, e o Marcos Franco, que era um agregado ao grupo. Pos bem, como eu estava carente de grupos visto o da minha casa não estar lá muito leve, eu resolvi que este grupo era ok. Um pessoal do bem, que curtia uma bohemia suburbana, barzinhos petiscos, chopp e muita erva, que também eram divertidíssimos e animados.
Selminha vivia floreando que o Marcos era tudo de bom, que a química entre eles era perfeita, que ele era uma ótima pessoa e que muito provável ela iria se casar com ele. Eu ficava muito feliz com isso, pois vi o quanto ela penou com seu último namorado e como ele era uma cara babaca.
Enquanto isso, na minha casa, as coisas não iam nada bem. cada dia que passava uma menina ia embora, e me ví mais uma vez sozinha, até a Preta tinha sumido e a Sandra estava de castigo, por assim dizer.
Numa noite qualquer, enquanto eu tomava uma cerveja na sala, provavelmente meu jantar, porque não tinha mais nada na despensa, apareceu Preta animadíssima pela porta afora e disse:
-Amiga! vem comigo!
-Aonde mulher?
-Vem que eu vou te ajudar! Eu estava pensando muito em você nestes dias, Arrumei uma parada pra você ganhar um dinheirinho extra, se arruma e vem que o carro tá na porta!
-Mas o que é?
-Vc não está precisando de dinheiro?
-Sim!
-Então se arruma e vem!
E eu fui. Na verdade eu já sabia onde ela queria me levar, mas não estava vendo outra opção. Pelo menos as coisas pareciam fáceis com ela. Eu nunca tinha visto ela apanhar de ninguém, Ela tinha uma vida simples, mas nunca a ví precisar de nada de ninguém, nem dinheiro, nem apoio moral. Então fomos á casa de um cara bem endinheirado, ele nos aguardava numa Jacuzzi fumando um charuto e tomando um whisky. Nos divertimos, comemos, bebemos. Mas eu não me sentia segura para fazer mais nada. Neste dia experimentei coca. E fiquei corajosa, linda maravilhosa. E passei a noite com aquele homem. Preta havia saído sorrateiramente.
Ao amanhecer, tomei um banho e me arrumei para ir embora. Ele me deu um bolo de dinheiro. Eu olhei... Agradeci e devolvi. Fui embora para casa com menos esse peso nos ombros, o de um caminho sem volta onde só existia dependencia, violencia e falta de amor próprio.
Selminha vivia floreando que o Marcos era tudo de bom, que a química entre eles era perfeita, que ele era uma ótima pessoa e que muito provável ela iria se casar com ele. Eu ficava muito feliz com isso, pois vi o quanto ela penou com seu último namorado e como ele era uma cara babaca.
Enquanto isso, na minha casa, as coisas não iam nada bem. cada dia que passava uma menina ia embora, e me ví mais uma vez sozinha, até a Preta tinha sumido e a Sandra estava de castigo, por assim dizer.
Numa noite qualquer, enquanto eu tomava uma cerveja na sala, provavelmente meu jantar, porque não tinha mais nada na despensa, apareceu Preta animadíssima pela porta afora e disse:
-Amiga! vem comigo!
-Aonde mulher?
-Vem que eu vou te ajudar! Eu estava pensando muito em você nestes dias, Arrumei uma parada pra você ganhar um dinheirinho extra, se arruma e vem que o carro tá na porta!
-Mas o que é?
-Vc não está precisando de dinheiro?
-Sim!
-Então se arruma e vem!
E eu fui. Na verdade eu já sabia onde ela queria me levar, mas não estava vendo outra opção. Pelo menos as coisas pareciam fáceis com ela. Eu nunca tinha visto ela apanhar de ninguém, Ela tinha uma vida simples, mas nunca a ví precisar de nada de ninguém, nem dinheiro, nem apoio moral. Então fomos á casa de um cara bem endinheirado, ele nos aguardava numa Jacuzzi fumando um charuto e tomando um whisky. Nos divertimos, comemos, bebemos. Mas eu não me sentia segura para fazer mais nada. Neste dia experimentei coca. E fiquei corajosa, linda maravilhosa. E passei a noite com aquele homem. Preta havia saído sorrateiramente.
Ao amanhecer, tomei um banho e me arrumei para ir embora. Ele me deu um bolo de dinheiro. Eu olhei... Agradeci e devolvi. Fui embora para casa com menos esse peso nos ombros, o de um caminho sem volta onde só existia dependencia, violencia e falta de amor próprio.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
POR TRÁS DAS SOMBRAS
Numa dessas conversas despretensiosas na beira da piscina, Sandra me contava como foi parar ali, cuidando daquela casa e daquele mulheril.
"Eu já fui casada, meu ex marido trabalha numa grande empresa em São Paulo, tenho um filho que vejo de vez em quando porque mora com o pai... É melhor para ele, o pai pode dar o que eu não posso. Conhecí o Fernando , dono dessa casa, que precisava de alguém para cuidar dela, e perguntou se eu queria. Para mim foi ótimo, pois precisava de um lugar para morar..."
Enquanto olhava a foto do lindo filho de Sandra, também observava seu olhar desacreditado no que dizia.
Alguns dias depois, ao chegar do trabalho, percebi que Sandra estava desesperada, agitada de um lado para o outro, e nos pedia para acompanhá- la porque ela tinha que buscar alguma coisa na casa de alguém. Lá fomos nós com ela, pela rua, no meio da noite. Chegando ao local que ela queria, um homem com cara de poucos amigos entregava algo na mão dela, não dava para ver o que era no meio de toda aquela escuridão. Mas o que ela fez deu para ver bem: colocou na mão e depois aspirou tudo pelo nariz. Consigo lembrar daquele momento como agora, poi parecia que eu estava assistindo um filme, parecia que aquilo ali não estava acontecendo comigo, aquilo tudo era totalmente fora da minha realidade.
O celular de Sandra tocou, e como se tivesse visto um fantasma, ela gritava:
-É o Fernando! ele vai me matar! temos que fugir daqui!!!
Lá fomos nós tentando acalmá-la, tentando dizer que estava tudo bem, enquanto ela dizia que era para dizer que ela passou mal e que fomos na farmácia com ela para comprar remédios, pois ele havia ligado para casa e ninguém havia atendido.
Assim que chegamos, Lá estava o Fernando de braços cruzados , quase que como uma mãe com um chinelo na mão esperando o filho arteiro voltar para casa, só que sem o chinelo, rs.
Sandra estava tão descompensada, que não conseguia disfarçar o que realmente tinha feito. Então, como um bom jogador que era, foi direto á mim, a mais sincera e incapaz de inventar uma história mirabolante diante de uma pessoa louca de trincada.
Ele não me perguntou nada, apenas dizia:
-Vocês foram levar ela lá naquele lugar , não foram?
-Ela comprou e usou de novo, não foi?
Como desmentir algo que estava na cara e que ele parecia já saber tão bem? O que me restou foi calar e dizer que isto não era da minha conta.
No dia seguinte Sandra contou que confessou tudo para ele, que ele era uma pessoa ótima para ela, que ele não merecia que ela fizesse isso para ele...
enquanto Sandra contava o quão errada ela estava, eu calada observava sua maçã do rosto esquerda com um baita roxo.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
AMIZADES FEITAS
Numa noite enquanto jantávamos um suculento prato de macarrão instantâneo, Preta me perguntou o que eu planejava fazer da vida. Eu lhe disse que queria terminar os estudos, mas que realmente estava ficando cada vez mais difícil conciliar com o trabalho e a distância, visto que agora estava morando mais longe do trabalho e do colégio. Enquanto eu falava da minha vida, dos meus planos, ela me olhava com um olhar de carinho, de amiga, como que quisesse me dizer algo, mas não falava.
Mais dias foram passando, mais meninas entravam e saíam, a maioria dormia o dia todo, saíam nos fins de semana e sempre iam nos lugares mais legais. Karen era uma menina muito legal, rostinho de criança mas firmeza de mulher, baixinha mas altiva, que trabalhava no centro da cidade. Sempre muito bem vestida, ela sempre tinha roupas legais para emprestar e sempre trazia alguma coisa legal para o lanche. Aos poucos a casa foi ganhando vida, e nós ficávamos cada vez mais unidas.
Um dia Karen chegou em casa com um hematoma no rosto, e chorando correu para o quarto da Sandra, onde passou lá um bom tempo. Enquanto eu fumava um marlboro na sala, como o pai que aguarda ansioso na sala de espera a chegada de um bebê, Vem Sandra contar o acontecido. Reunidas na mesa da cozinha, Sandra contara que Karen havia apanhado do namorado. Todas as meninas se condoeram da situação, mas nenhuma delas ficara revoltada ou sequer mencionaram denunciar. Quando Karen se recompôs e se juntou a nós na mesa da cozinha, onde tomávamos café e algumas chá, e outras só cigarro, eu olhava para seu rosto roxo enquanto ela contava o que aconteceu. Ela dava razão para ele, mas dizia que não queria passar mais por aquilo.
Passados alguns dias, Karen voltou para casa novamente ferida, desta vez sua boca estava gigante, ela não queria ir para o hospital, então eu peguei uma bolsa de gelo, um remédio para dor e levei para ela. Ficamos deitadas na cama enquanto ela dormia e eu fazia cafuné em sua cabeça. Não falamos nada.
Numa manhã eu acordei e não ví a karen muito menos as coisas dela no quarto. Sandra disse que ela havia ido embora, pois terminara com o namorado e não queria que ele a encontrasse.
Mais dias foram passando, mais meninas entravam e saíam, a maioria dormia o dia todo, saíam nos fins de semana e sempre iam nos lugares mais legais. Karen era uma menina muito legal, rostinho de criança mas firmeza de mulher, baixinha mas altiva, que trabalhava no centro da cidade. Sempre muito bem vestida, ela sempre tinha roupas legais para emprestar e sempre trazia alguma coisa legal para o lanche. Aos poucos a casa foi ganhando vida, e nós ficávamos cada vez mais unidas.
Um dia Karen chegou em casa com um hematoma no rosto, e chorando correu para o quarto da Sandra, onde passou lá um bom tempo. Enquanto eu fumava um marlboro na sala, como o pai que aguarda ansioso na sala de espera a chegada de um bebê, Vem Sandra contar o acontecido. Reunidas na mesa da cozinha, Sandra contara que Karen havia apanhado do namorado. Todas as meninas se condoeram da situação, mas nenhuma delas ficara revoltada ou sequer mencionaram denunciar. Quando Karen se recompôs e se juntou a nós na mesa da cozinha, onde tomávamos café e algumas chá, e outras só cigarro, eu olhava para seu rosto roxo enquanto ela contava o que aconteceu. Ela dava razão para ele, mas dizia que não queria passar mais por aquilo.
Passados alguns dias, Karen voltou para casa novamente ferida, desta vez sua boca estava gigante, ela não queria ir para o hospital, então eu peguei uma bolsa de gelo, um remédio para dor e levei para ela. Ficamos deitadas na cama enquanto ela dormia e eu fazia cafuné em sua cabeça. Não falamos nada.
Numa manhã eu acordei e não ví a karen muito menos as coisas dela no quarto. Sandra disse que ela havia ido embora, pois terminara com o namorado e não queria que ele a encontrasse.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
GRITO DE INDEPENDÊNCIA
Era uma menina de pavio curto e rebelde, sentia que vivia numa prisão sendo vigiada pelos olhares de uma mãe e uma irmã superprotetoras, que ao desconfiarem do que havia acontecido, me colocaram num paredão sem fim e uma prisão domiciliar. Então, para não ter que lidar com isso, Resolví ir morar sozinha. Veja bem, morar só é uma coisa boa, mas quando você não tem dinheiro para isso pode vir a ser um problema.Mas eu não quis saber, fiz as contas de quanto ganhava por mês e de quanto iria pagar de Aluguel. Dava para ir. Fui.
Li um anuncio no jornal:
"vagas para moças"
É esse aqui.
Numa tarde ensolarada, cheguei numa casa num bairro suburbano do Rio de Janeiro, onde uma mulher de 36 anos, cabelos lisos e negros, pele morena, parecia uma índia, a Sandra, me apresentava a casa e seus cômodos, explicava como funcionava a casa, regrinhas de convivência, me deu uma chave de uma despensa individual e falou:
-Escolhe seu quarto e sua cama!
Por afinidade a uma mulher que já estava lá e havia sido muitíssimo simpática, escolhi o quarto que ela dormia, a Preta. Que de preta não tinha nada, era uma bahiana arretada muito gente boa, cabelos cacheados loiros esvoaçantes, magriiiiha que só.
Foi a primeira noite bem dormida em três anos. Sem me preocupar com o que diriam de mim, sem me preocupar com ninguém tomando conta da minha vida, isso era realmente bom.
Além de trabalhar meio período, eu ainda estudava, então saía cedo para estudar, almoçava e jogava voley no colégio para depois ir trabalhar, o que me poupava algum dinheiro.
Também voltava para casa do trabalho de ônibus e andava 1/4 do trajeto a pé, para não gastar a segunda passagem, que trocava para complementar os gastos com comida.
Nesse ritmo, as coisas foram se apertando. Preta via que eu estava numa situação ruim, e muitas vezes me trazia um lanche, ou até mesmo fazia janta para mim. Fomos nos aproximando cada vez mais.
Li um anuncio no jornal:
"vagas para moças"
É esse aqui.
Numa tarde ensolarada, cheguei numa casa num bairro suburbano do Rio de Janeiro, onde uma mulher de 36 anos, cabelos lisos e negros, pele morena, parecia uma índia, a Sandra, me apresentava a casa e seus cômodos, explicava como funcionava a casa, regrinhas de convivência, me deu uma chave de uma despensa individual e falou:
-Escolhe seu quarto e sua cama!
Por afinidade a uma mulher que já estava lá e havia sido muitíssimo simpática, escolhi o quarto que ela dormia, a Preta. Que de preta não tinha nada, era uma bahiana arretada muito gente boa, cabelos cacheados loiros esvoaçantes, magriiiiha que só.
Foi a primeira noite bem dormida em três anos. Sem me preocupar com o que diriam de mim, sem me preocupar com ninguém tomando conta da minha vida, isso era realmente bom.
Além de trabalhar meio período, eu ainda estudava, então saía cedo para estudar, almoçava e jogava voley no colégio para depois ir trabalhar, o que me poupava algum dinheiro.
Também voltava para casa do trabalho de ônibus e andava 1/4 do trajeto a pé, para não gastar a segunda passagem, que trocava para complementar os gastos com comida.
Nesse ritmo, as coisas foram se apertando. Preta via que eu estava numa situação ruim, e muitas vezes me trazia um lanche, ou até mesmo fazia janta para mim. Fomos nos aproximando cada vez mais.
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