segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MR G

Estava no trabalho, quando o telefone tocou e eu atendi. Um homem perguntava se  era da boate  que ficava ao lado do meu trabalho. Eu disse que não, e passei o número correto para ele.
O telefone tocou de novo, atendi e era o homem de novo. Ele dizia que também não era aquele número. Dois números errados de novo depois, ele  ligou novamente e insistia que eu dei o telefone errado. Eu, rainha da boa vontade em dias de não tpm, decidi ajudá-lo:
-Já que não acerto o número da boate, diga o que você quer saber que posso te ajudar.
-Ué, você trabalha lá também?
-Não, mas vou lá com tanta frequência que posso te ajudar.
-Bom, eu queria saber como funciona lá no sábado.
-Ah, sim, são 35,00 de consumação até á 0hs.
- Poxa, muito Obrigado, lá é legal?
-É sim, eu curto bastante.
-Você deve conhecer todo mundo lá né?
-Conheço, rs.
-Quer ir comigo? não quero ir sozinho, tô com vergonha... (coitado)

Nesse momento eu pensei "por que não, vou num lugar que conheço todo mundo, ele nem pode tentar me matar lá".
-OK, mas eu saio do trabalho ás 22h.
-Tudo bem, eu vou estar te esperando 22:30 em frente ao chafariz
-Que roupa você vai estar usando, pra eu saber quem é você e qual o seu nome ( o meu ele já sabia pois as trezentas vezes que ele ligou eu me identifiquei)?
-Ah, desculpa, sou o Galvão, vou estar com uma calça social preta e uma camisa azul escuro. E você?
- Não sabe como é mulher? não faço a mínima idéia, vou experimentar várias até ver qual eu vou.
-Sei... Você não quer me falar porque se me achar esquisito vai me dar o cano hahahah!

Rimos bastante, e ficou combinado assim. Isso era uma terça.
Na quarta, quinta e sexta ele ligou para o meu trabalho e conversamos bastante, nossa que cara interessante! Mesmo sendo feio vai valer o encontro- Eu pensei.


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AMIGOS DISTANTES

Já quase não ia na minha casa de verdade. Ia ás vezes para pegar uma roupa, um objeto. A maioria dos meus dias eu passava na vila. Acordava de manhã, tomava um café  e ia trabalhar. Chegava á noite, jantava, lavava a   louça da galera e  ia dormir.
Num desses dias, havia chegado muito cansada e cheia de fome. Não tinha nada para comer, só louça suja. Mas, ainda de  boa vontade, lavei toda a  louça e reparei que Marcos havia saído. Quando ele voltou, estava com uma sacola com um lanche para mim. Comí e ficamos de papo até tarde, ele deitado na cama dele e eu no colchonete do lado. Enquanto eu dormia, o braço dele caiu por cima de mim. Achei que tivesse sido sem querer, mas a mão dele começou a fazer cafuné na minha cabeça. Eu retribuí fazendo carinho no braço dele e quando me dei conta já estávamos entrelaçados como um só naquele colchonete apertado e fino. Mas quem percebeu isso?
Os dias se passaram e nós continuávamos dormindo juntos. Mas era diferente, não tinha borboleta no estômago, era apenas muito carinho, cumplicidade, amizade. Contei para Selminha e ela achou legal, falou que era bom para nós dois, um cuidando do outro.
Mas aquela situação não me agradava, pois não éramos nada, mas também não éramos só amigos. Faltava algo. Eu não queria aquilo para mim.
Aos poucos fui me afastando até que voltei a dormir na minha casa normalmente. Nos víamos sempre, mas sem aquele vínculo todo.
Sei que Selminha não se agradou desta história, porque nossa amizade mudou muito.
E acabou assim, a turma da vila na vila, e eu de volta á minha casa.


MR G

Estava no trabalho, quando o telefone tocou e eu atendi. Um homem perguntava se  era da boate  que ficava ao lado do meu trabalho. Eu disse ...