Uma colega do trabalho, a Selminha, morava perto de mim, e volta e meia fazíamos algo juntas. Ela tinha uma turminha que estava sempre com ela, a Renata, o Juliano namorado da Renata, o Marcos que era ficante da Selminha, e o Marcos Franco, que era um agregado ao grupo. Pos bem, como eu estava carente de grupos visto o da minha casa não estar lá muito leve, eu resolvi que este grupo era ok. Um pessoal do bem, que curtia uma bohemia suburbana, barzinhos petiscos, chopp e muita erva, que também eram divertidíssimos e animados.
Selminha vivia floreando que o Marcos era tudo de bom, que a química entre eles era perfeita, que ele era uma ótima pessoa e que muito provável ela iria se casar com ele. Eu ficava muito feliz com isso, pois vi o quanto ela penou com seu último namorado e como ele era uma cara babaca.
Enquanto isso, na minha casa, as coisas não iam nada bem. cada dia que passava uma menina ia embora, e me ví mais uma vez sozinha, até a Preta tinha sumido e a Sandra estava de castigo, por assim dizer.
Numa noite qualquer, enquanto eu tomava uma cerveja na sala, provavelmente meu jantar, porque não tinha mais nada na despensa, apareceu Preta animadíssima pela porta afora e disse:
-Amiga! vem comigo!
-Aonde mulher?
-Vem que eu vou te ajudar! Eu estava pensando muito em você nestes dias, Arrumei uma parada pra você ganhar um dinheirinho extra, se arruma e vem que o carro tá na porta!
-Mas o que é?
-Vc não está precisando de dinheiro?
-Sim!
-Então se arruma e vem!
E eu fui. Na verdade eu já sabia onde ela queria me levar, mas não estava vendo outra opção. Pelo menos as coisas pareciam fáceis com ela. Eu nunca tinha visto ela apanhar de ninguém, Ela tinha uma vida simples, mas nunca a ví precisar de nada de ninguém, nem dinheiro, nem apoio moral. Então fomos á casa de um cara bem endinheirado, ele nos aguardava numa Jacuzzi fumando um charuto e tomando um whisky. Nos divertimos, comemos, bebemos. Mas eu não me sentia segura para fazer mais nada. Neste dia experimentei coca. E fiquei corajosa, linda maravilhosa. E passei a noite com aquele homem. Preta havia saído sorrateiramente.
Ao amanhecer, tomei um banho e me arrumei para ir embora. Ele me deu um bolo de dinheiro. Eu olhei... Agradeci e devolvi. Fui embora para casa com menos esse peso nos ombros, o de um caminho sem volta onde só existia dependencia, violencia e falta de amor próprio.
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