segunda-feira, 3 de julho de 2017

GRITO DE INDEPENDÊNCIA

Era uma menina de pavio curto e rebelde, sentia que vivia numa prisão sendo vigiada pelos olhares de uma mãe  e uma irmã superprotetoras, que ao desconfiarem do que havia acontecido, me colocaram num paredão sem fim e uma prisão domiciliar. Então, para não ter que lidar com isso, Resolví ir morar sozinha. Veja bem, morar só é uma coisa boa, mas quando você não tem dinheiro para isso pode vir a ser um problema.Mas eu não quis saber, fiz as contas de quanto ganhava por mês e de quanto iria pagar de Aluguel. Dava para ir. Fui.
Li um anuncio no jornal:
"vagas para moças"
É esse aqui.
Numa tarde ensolarada, cheguei numa casa num bairro suburbano do Rio de Janeiro, onde uma mulher de 36 anos, cabelos lisos e negros, pele morena, parecia uma índia, a Sandra, me apresentava a casa e seus cômodos, explicava como funcionava a casa, regrinhas de convivência, me deu uma chave de uma despensa individual e falou:
-Escolhe seu quarto e sua cama!
Por afinidade a uma mulher que já estava lá e havia sido muitíssimo simpática, escolhi o quarto que ela dormia, a Preta. Que de preta não tinha nada, era uma bahiana arretada muito gente boa, cabelos cacheados loiros esvoaçantes, magriiiiha que só.
Foi a primeira noite bem dormida em três anos. Sem me preocupar com o que diriam de mim, sem me preocupar com ninguém tomando conta da minha vida, isso era realmente bom.
Além de trabalhar meio período, eu ainda estudava, então saía cedo para estudar, almoçava e jogava voley no colégio para depois ir trabalhar, o que me poupava algum dinheiro.
Também voltava para casa do trabalho de ônibus e andava 1/4 do trajeto a pé, para não gastar a segunda passagem, que trocava para complementar os gastos com comida.
Nesse ritmo, as coisas foram se apertando. Preta via que eu estava numa situação ruim, e muitas vezes me trazia um lanche, ou até mesmo fazia janta para mim. Fomos nos aproximando cada vez mais.

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