segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AMIGOS DISTANTES

Já quase não ia na minha casa de verdade. Ia ás vezes para pegar uma roupa, um objeto. A maioria dos meus dias eu passava na vila. Acordava de manhã, tomava um café  e ia trabalhar. Chegava á noite, jantava, lavava a   louça da galera e  ia dormir.
Num desses dias, havia chegado muito cansada e cheia de fome. Não tinha nada para comer, só louça suja. Mas, ainda de  boa vontade, lavei toda a  louça e reparei que Marcos havia saído. Quando ele voltou, estava com uma sacola com um lanche para mim. Comí e ficamos de papo até tarde, ele deitado na cama dele e eu no colchonete do lado. Enquanto eu dormia, o braço dele caiu por cima de mim. Achei que tivesse sido sem querer, mas a mão dele começou a fazer cafuné na minha cabeça. Eu retribuí fazendo carinho no braço dele e quando me dei conta já estávamos entrelaçados como um só naquele colchonete apertado e fino. Mas quem percebeu isso?
Os dias se passaram e nós continuávamos dormindo juntos. Mas era diferente, não tinha borboleta no estômago, era apenas muito carinho, cumplicidade, amizade. Contei para Selminha e ela achou legal, falou que era bom para nós dois, um cuidando do outro.
Mas aquela situação não me agradava, pois não éramos nada, mas também não éramos só amigos. Faltava algo. Eu não queria aquilo para mim.
Aos poucos fui me afastando até que voltei a dormir na minha casa normalmente. Nos víamos sempre, mas sem aquele vínculo todo.
Sei que Selminha não se agradou desta história, porque nossa amizade mudou muito.
E acabou assim, a turma da vila na vila, e eu de volta á minha casa.


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